Crédito das fotos: Karen R. Igari

Crédito das fotos: Karen R. Igari

sábado, 12 de julho de 2014

"Somos, pela maneira de perceber o mundo, seres incompletos"

Somos, pela maneira de perceber o mundo, seres incompletos. Vivemos buscando desesperadamente a nossa "metade". Às vezes, pensamos ter encontrado e o nosso primeiro desejo é ficar até que a morte separe. No início da relação com a nossa "outra metade", ali do lado, nos sentimos completos e felizes. Mas, muitas vezes, ele resolve ir embora e lá estamos nós partidos, fragmentados, chorando e cantando como o poeta: "ó pedaço de mim, ó metade arrancada de mim"... Depois de alguns episódios de fracassos, ficamos com a impressão de que algo está errado. Começamos, então, a procurar um relacionamento que não nos deixe tão perdidos ao acabar, porque descobrimos, já não tão surpresos, que sim: os relacionamentos acabam!!! É quando percebemos como é difícil conseguir uma relação rica e criativa, inteira, sem dependência. Aí vem a pergunta: o que os homens procuram nas mulheres e as mulheres procuram nos homens? Quantas pessoas não se queixam que o casamento não deu certo, que o namoro não deu certo... Contam que, apesar de terem se dedicado tanto ao outro, de terem amado, cuidado e convivido, de repente a outra pessoa simplesmente deixou de amar. E se queixam dizendo: "ah, eu investi tanto nessa relação!". É isso que fazemos. Investimos nas relações. Investimos como se fosse um negócio. Agimos como quando colocamos o dinheiro na poupança e esperamos que os juros aumentem para que o investimento cresça! Damos amor, fidelidade, sexo, companheirismo, cumplicidade e, quando o retorno não vem é o caos! O investimento não teve retorno! Ora, nos negócios existe o risco. Pode dar certo ou não. E quando não dá, não adianta culpar o mercado ou o corretor. Trata-se apenas de juntar o que sobrou e reinvestir novamente em outras condições, ou sair à francesa, retirar-se do mercado por um tempo, pra evitar maiores prejuízos! O amor, entretanto, não é um mercado. Amamos para amar ou para sermos amados? Para as duas coisas, você diria... Mas, na verdade, a gente só pode se responsabilizar pelo nosso sentimento, nunca o do outro. Mas, já que amamos e estamos sempre procurando um jeito de misturar a nossa vida com a de alguém... O que se diz nesse momento é: siga em frente e seja feliz. Nunca um adeus dolorido vai ser pior do que um ficar por ficar!

(Clotilde Tavares)

Foto tirada no Parque do Ibirapuera
Foto tirada no Parque do Ibirapuera, em 07/2014.